“Olho por olho e o mundo acabará cego”

7 12 2008

por Marcela Cataldi Cipolla

Kevin Spacey com David Gale

Kevin Spacey com David Gale

A pena de morte em “A vida de David Gale” é abordada de modo singular. A obra de Alan Parker tem um grande valor artístico se considerada a qualidade e a originalidade do roteiro. O personagem principal é um ativista contra a pena de morte que passa por diversos momentos ruins (acusação de estupro, alcoolismo, separação do filho…), o protagonista, então, planeja sua própria morte de um modo surpreendente.

Uma amiga também defensora da causa estava sofrendo de leucemia e, eles armaram a morte dela como se fosse um assassinato cujo principal suspeito seria o próprio Gale. No estado do Texas (como não poderia deixar de ser), ele foi para o corredor da morte e contou sua versão de todos os fatos para uma jornalista, fazendo-a acreditar que ele era inocente. O grupo de ativistas forjou até um vídeo no qual o “verdadeiro culpado” aparecia. A jornalista divulgou o vídeo na internet.

E, depois que as imagens repercutiram de modo surpreendente, outra gravação foi enviada para a jornalista, revelando toda a armação.

Gale queria provar que o sistema de condenação que prevê a morte dos culpados pode ser falho. Que as evidências são manipuláveis assim como o filme que se baseou na versão contada por ele, ou ainda, que uma jornalista experiente pode se enganar. Então, por que o sistema de punição vigente no Texas estaria isento de equívocos?

O filme se foca em uma questão muito recorrente sobre o tema. Será que inocentes são condenados à pena de morte?

Outra grande obra  sobre o assunto também retrata uma vítima de uma falha do sistema de execução nos EUA, é do cineasta Lars Von Triers, o longa se chama “Dançando no Escuro.” O filme é um musical genial do diretor dinamarquês e conta com a atuação de Björk e Catherine Deneuve.

Acredito que a questão central da pena de morte não é se o indivíduo é culpado ou não. Para mim, a execução, mesmo que de um assassino, é um desrespeito aos direitos humanos, é a desvalorização da vida, a legalização de assassinatos e a presunção de que alguns seres humanos têm o direito ou a capacidade de julgar se determinada pessoa deve viver ou morrer.

A banalização da violência e o descrédito na possibilidade de recuperação de presidiários são graves efeitos dessa prática. O fato de alguém ter cometido um crime não quer dizer que essa pessoa seja descartável. Além disso, esse tipo de sanção é uma reação violenta para uma ação violenta e não um trabalho no sentido de buscar paz e justiça.

Quanto à possibilidade de falhas ou de condenações tendenciosas, é sabido que isso pode acontecer. E, pior, pode ser usado contra determinada etnia ou grupo de pessoas com o intuito de eliminá-las da sociedade.

No Direito, muitas decisões são relativas e tomadas também com base nas crenças pessoais de quem está julgando. Julgamentos suspeitos ocorrem todos os dias, por que não haveriam erros nas execuções?

representação de execução por injeção letal

representação de execução por injeção letal

Finalmente, a famosa citação de Mahatma Ghandi “Olho por olho e o mundo acabará cego”, lembrada no filme, permite uma ampla reflexão. O líder indiano promovia a justiça e a independência indiana de forma pacífica. Ele também defendia a convivência sem conflitos com os islâmicos. Analisando os problemas mundiais e, especialmente, os atentados em Mumbai, é possível pensar que cada vez mais “o iluminado” tinha razão.

A pena de morte aparece com bastante freqüência na mídia.

O Caso Mumia


Sobre a condenação do primo de Saddam Hussein

China determina a morte de oito africanos


Crianças também são vítimas da pena de morte

No Irã acusados de adultério são apedrejadas

Pena de morte no Texas, na Indonésia, na Arábia Saudita, na Nigéria, no Japão e no Afeganistão

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Fecha o cerco contra o Paquistão

2 12 2008

por Marcela Cataldi Cipolla

Terroristas paquistaneses são os principais suspeitos dos ataques contra uma das principais cidades indianas. O governo do país vizinho e a comunidade internacional pressionam o Paquistão, acusado de proteger terroristas.

Apesar de outro grupo ter assumido a autoria dos atentados em Mumbai, a polícia indiana acusa militantes do Lashkar-e-Toiba (Exército dos Puros), ligados ao Paquistão e exige maior cooperação contra os terroristas. Por outro lado, o país islâmico nega qualquer relacionamento com as explosões em Mumbai.

velas em homenagem as vítimas dos ataques em Mumbai, na Índia. Rupak De Chowdhuri/Reuters

A mídia está sugerindo que os assassinatos estavam vinculados a uma organização que luta pela separação da região da Caxemira. As disputas entre o governo de Islamabad e o país vizinho são antigas, no entanto, não havia tamanha movimentação dos veículos de comunicação desde 1998 quando entraram para o restrito grupo dos detentores de armas nucleares. Para amanhã está prevista a visita de Condoleezza Rice em Nova Délhi. Será que vai ajudar ou atrapalhar?

Folha Online – Especial Mumbai

Estadão

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Eleições em Jerusalém

1 12 2008

por Paula Sacchetta

Há menos de um mês aconteceram as eleições em Jerusalém, cidade tradicionalmente sagrada para as mais diversas religiões e, portanto, palco de disputas políticas, sobretudo entre israelenses e palestinos. Pouco se ouviu falar sobre isso. Na internet, se procurado, era fácil encontrar material a respeito, mas nos grandes jornais e revistas – aqueles onde não procuramos informações, mas que as fazem chegar às nossas mãos – pouco se falou sobre isso.

As eleições municipais de Jerusalém, apenas com candidatos israelenses, foram boicotadas pela grande maioria dos árabes que vivem na cidade. O que me causou espanto foi a pouca repercussão deste pleito na mídia, já que diversos interesses estão em jogo naquela região.

Não se falou que Jerusalém é uma cidade sagrada para diversas religiões: é a cidade santa do judaísmo, contém um número de significativos lugares antigos cristãos, e é considerada a terceira cidade sagrada do Islã. Apesar disso, apenas israelenses concorrem nas eleições para prefeito. A população palestina da cidade, 30% dos habitantes, não reconhece as eleições, já que eles nem têm direito a um candidato próprio. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), pediu que os palestinos não fossem às urnas, já que as eleições não os representam.

Na Folha de S. Paulo do dia 13 de novembro, após a vitória do empresário Nir Barkat, não havia nada sobre a greve que os palestinos fizeram no dia do pleito, nem a declaração de Abbas (de que eleições naquela cidade são “ilegais e inaceitáveis”), apenas uma notinha mostrando o lado dos israelenses: “após a confirmação de sua vitória na eleição para a Prefeitura de Jerusalém, o empresário Nir Barkat, 49, prometeu resguardá-la como capital indivisível de Israel – os palestinos reivindicam o setor oriental (árabe), ocupado em 1967, como sua futura capital”.

Não explicaram que Jerusalém não foi ocupada, mas invadida em 1967. Nem, tampouco, a importância de eleições verdadeiras naquela cidade, em que concorram representantes dos mais diversos povos que ali habitam. Sobre isso, nada se falou. A agência de notícias espanhola EFE foi a que melhor cobriu a votação. Deu matérias antes, durante e depois, mostrando ambos os lados da história. Ao contrário dela, a Folha de S. Paulo, deu a nota acima e ainda colocou em seu site, a Folha Online, uma chamada para um artigo que Gilberto Dimenstein havia escrito em 2007!!! Um ano antes, sob o título “Os judeus são mais inteligentes?”, com uma teoria eugenista beirando o nazismo de um geneticista norte americano. O que me espantou foi quando vi a data, novembro de 2007. Não entendi porque estava ali bem no dia das eleições, mais de um ano depois…








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