Na Etiópia, a história se repete

6 10 2008

por Marcela Cataldi Cipolla

Crise alimentar na Etiópia coloca 12 milhões de pessoas em risco, passa despercebida pela mídia brasileira e deve agravar a já complicada situação do território africano.

(Margaret Aguirre/International Medical Corps/Reuters)

criança desnutrida recebendo cuidados médicos da International Medical Corps (IMC) em Bolossa Sore, sul da Etiópia, em junho de 2008. Créditos: (Margaret Aguirre/International Medical Corps/Reuters)

Em entrevista para a revista Época, um médico brasileiro que esteve na intervenção de emergência no país explicou as causas da crise atual.

“ÉPOCA – Os etíopes estão sendo vítimas da alta no preço dos alimentos?

David Oliveira de Souza – Eles estão sendo profundamente afetados por esse e outros fatores que se somam numa coincidência cruel. A seca comprometeu a última colheita; a renda da produção local, altamente voltada para o mercado externo, encolheu. Eles produzem basicamente gengibre, e o preço do gengibre despencou nos últimos meses. Daí eles ficaram sem alimentos e sem renda para comprar a comida cada vez mais cara. Alguns alimentos mais que dobraram de preço do ano passado para cá. Quando saí de lá, alguns produtos estavam baixando de preço. A espiga de milho chegou a custar 2 berr (fala-se bir), caiu para 1 e agora para 50 centavos do berr. Está quase ao alcance do poder aquisitivo local. “

A Etiópia é uma nação cuja estabilidade política e a democracia estão engatinhando. Em 2006, o país se envolveu belicamente na Somália contra milícias islâmicas e um suposto apoio da Eritréia (Estado inimigo dos etíopes de longa data). Além disso, o governo da Etiópia enfrenta uma série de atentados civis e culpa a Frente de Libertação Nacional de Ogaden. A Frente é uma organização que atua para a independência da região denominda Somali (um território sob o domínio de Adis Abeba que faz fronteira com a Somália), os rebeldes lutam pela formação da “Grande Somália”, anexando a região ao país vizinho. Por outro lado, os insurgentes apontam as tropas oficiais e o poder federal como responsáveis pela marginalização e perseguição de cunho étnico.

No mapa, a região Somali que possui um dos maiores grupos de conflitos armados do pais

No mapa, a região "Somali" que possui um dos maiores grupos de conflitos armados do país

O combate á escassez de alimentos no chifre africano é fundamental para a consolidação da paz na região, tão marcada pela turbulência política, conflitos armados e miséria.

A repercussão na mídia brasileira:

No Estadão, hoje, foi ignorada a desnutrição do país. : “Explosão deixa três mortos na Etiópia; polícia culpa rebeldes”

http://www.estadao.com.br/internacional/not_int249683,0.htm

Sobre a crise de alimentos:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u446903.shtml (Na folha do dia 19)

Outra recente notícia da Folha foi sobre uma doação do casal Brad Pitt e Angelina Jolie!

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u445097.shtml

“Because there are so few pages in the traditional press for serious subjects, the internet has really taken the place of the traditional press to get those stories out there” James Nachtwey.

A falta de alimentos no local é tratada de forma discutível pelos meios de comunicação, não há análises, comentários, entrevistas, mapas, maiores explicações e a única imagem é a da atriz Angelina Jolie com sua filha.

Uma das coberturas mais completas está sendo feita pelos Médicos Sem Fronteiras, no site da ONG há fotos e até entrevista com um médico brasileiro que trabalhou na Etiópia:

http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=903

A entrevista do médico brasileiro, na revista Época

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