Yes, we can!

18 11 2008

por Marcela Cataldi Cipolla

60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Existe motivo para comemorar?
Analisando reportagens a fim de provocar uma reflexão (na própria autora do blog, inclusive) sobre o respeito (ou não) dos direitos humanos nos países africanos e asiáticos. Ou, ainda, sobre o modo como a imprensa ocidental trata as questões relacionadas.

Em entrevista, ontem, Barack Obama anunciou que dará fim à prisão americana de Guantánamo, em Cuba. O recém-eleito, também, frisou a promessa de campanha de que irá retirar as tropas americanas do Iraque.

“Disse reiteradamente que os EUA não torturam e vou me assegurar de que não torturamos.”

A Anistia Internacional divulgou uma nota se mostrando satisfeita com a posição de Obama e reivindicando uma investigação dos delitos contra os direitos humanos cometidos durante a “guerra contra o terror.”

A medida é um avanço na luta pelo estabelecimento dos direitos humanos, já que, a base militar abriga diversos presos sem acusações formais e é apontada como palco de torturas, inclusive contra adolescentes. Mas, é válido ressaltar que a investigação dos casos de abusos, torturas e desrespeitos à Convenção de Genebra em todas as penitenciárias sob o comando americano deve ser feita e os agressores punidos. Depois de várias imagens e notícias de Guantánamo e, principalmente, as fotografias de Abu Ghraib, não há dúvidas das infrações de oficiais americanos.

Protestos da AI contra o departamento carcerário instalado no caribe

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A repercussão na mídia

O Estadão não fez análises sobre o significado do fechamento da base naval. Não creio que houve falhas do jornal, acredito que a redação optou por seguir uma linha mais “neutra”, ainda sim, o jornal paulistano encerrou a matéria vinculando Guantánamo com a luta contra o terror (mesmo que timidamente). Enquanto que o Diário de Notícias (jornal português) revelou um aspecto bastante negativo da era Bush:

“A prisão em Cuba é um dos símbolos dos excessos da administração Bush na luta contra o terrorismo, famosa por manter suspeitos sem acusação e sob tortura. Desde que foi aberta. em 2002, mais de 800 homens e adolescentes passaram por aquele centro de detenção e 255 desses ainda ai permanecem. ” O jornal lusitano conseguiu aliar um tom critíco (mas, verdadeiro) com um repasse de
informações explicadas e contextualizadas.

A Folha de S. Paulo se posicionou ao optar por ceder um grande espaço da matéria para uma ONG que defende os direitos humanos e sem nenhuma outra fonte que represente a opinião contrária:

“A organização americana de defesa dos direitos humanos HRW (Human Rights Watch) pediu hoje a Obama que rejeite as ‘escandalosas práticas antiterroristas’ do governo do atual presidente George W. Bush.

‘Ao assumir as funções, o presidente Barack Obama deve repudiar categoricamente as práticas antiterroristas escandalosas dos sete últimos anos e adotar uma política eficaz e eqüitativa’, afirmou a organização em comunicado.

A HRW sugeriu ao novo presidente fechar o centro de detenção militar de Guantánamo e ‘rejeitar a guerra contra o terrorismo como base jurídica para prender pessoas suspeitas de terrorismo’.

Pede também que Obama acabe com as prisões secretas da CIA e ainda repudie ‘as normas do Departamento de Justiça e do presidente que autorizam a tortura e outros maus-tratos’.

‘Há muito tempo, os Estados Unidos reduziram sua capacidade de luta contra o terrorismo ao adotar uma política de vista curta que autoriza a tortura e a detenção ilimitada sem indiciamento’, afirmou o diretor de HRW, Kenneth Roth.”

Saiba mais:

O Estadão
Diário de Notícias
Folha de S. Paulo

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